Neste domingo (21), o volume de água do Cantareira está em 29,5%, de acordo com os dados divulgados pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).
Em 21 de setembro de 2021, quando o volume do Cantareira estava em 32,6%, a Prefeitura de Atibaia chegou a decretar emergência hídrica no município com canais de denúncia contra desperdício de água.
Já no dia 11 de setembro do ano passado, apesar do nível do Cantareira estar com 55,3% de armazenamento, a Prefeitura chegou a decretar novamente estado de emergência hídrica por causa da falta de chuvas e risco de falta de água. A medida, que foi publicada no Diário Oficial do Município, tinha como objetivo evitar o desabastecimento de água na cidade.
Governo de São Paulo
Com base nos resultados do primeiro boletim do Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica, composto por Arsesp e SP Águas, na sexta-feira (19), o governo de São Paulo adotou novas medidas para preservar os níveis dos reservatórios.
Foi ampliado, por deliberação da Arsesp, de oito para dez horas, o período em que a Sabesp deverá fazer a gestão de demanda noturna (GDN) de água na região metropolitana de São Paulo, coberta pelo Sistema Integrado Metropolitano.
A medida temporária será aplicada de 19h às 5h, até que sejam recompostos os níveis dos mananciais. Também foi determinado o gerenciamento de pressão no período diurno em patamares que garantam o abastecimento de todos.
Prefeitura de Atibaia e SAAE
A Prefeitura de Atibaia e a SAAE adotaram a gestão do abastecimento no início deste mês. O objetivo é minimizar o impacto da crise hídrica e garantir que o maior número possível de moradores continue sendo atendido.
A SAAE tem reduzido a vazão em algumas regiões, equilibrando a distribuição entre os bairros. “O rodízio funciona com a redução da pressão da água em alguns horários do dia, fazendo com que bairros que têm mais recebam um pouco menos, para ajudar aqueles que enfrentam maior dificuldade no abastecimento”, explicou o superintendente da SAAE.
Geralmente, os picos de consumo são aos finais de semana e nas segundas-feiras. Alguns pontos da cidade já enfrentam a falta d’água, principalmente na região atendida pelo Córrego do Onofre – como os bairros Cerejeiras, Caetetuba e Imperial.
Segundo a SAAE, o córrego apresenta vazão muito baixa devido à falta de chuvas e ao alto consumo. “Para reduzir os impactos da estiagem, a SAAE tem realizado manobras no sistema, direcionando água de regiões de maior disponibilidade de água – literalmente, transferindo de onde tem mais para onde tem menos”, informa.
Planejamento
De acordo com nota divulgada neste mês, desde o início do ano a nova gestão, da Prefeitura e SAAE, trabalha para melhorar a distribuição de água na cidade e evitar desperdícios, principalmente em períodos de pouca chuva.
“Além das obras na ETA Central, o foco é reforçar toda a rede de abastecimento para que a água chegue melhor a todas as casas. No caso da ETA Central, as obras foram iniciadas por gestões anteriores e se arrastam há mais de 10 anos. Agora estão sendo tratadas com prioridade, para que sejam concluídas o mais rápido possível”, lembra a Prefeitura.
Desenvolvimento da cidade
A Prefeitura de Atibaia destaca ainda que a cidade sofreu um crescimento desordenado nos últimos anos. “Com surgimento de prédios e loteamentos aprovados em gestões anteriores, esse “boom” populacional foi permitido sem levar em conta a infraestrutura e sem respeito às limitações dos recursos naturais locais. Em momentos de crise hídrica como esta pela qual estamos passando, a situação se agrava”.
“A atual Administração tem trabalhado para garantir um desenvolvimento equilibrado da cidade, adotando, desde o início do ano, políticas mais rígidas em relação à aprovação de novos empreendimentos. Hoje, a proteção ambiental e a garantia de cuidados aos recursos naturais são prioridades e levadas à risca nos processos de autorização de projetos urbanísticos. O novo Código de Obras e Urbanismo aborda essa questão com detalhes, buscando um desenvolvimento urbano mais sustentável”, finaliza.

