Hoje (22), Dia Mundial da Água, Atibaia apresenta um triste cenário no que se refere à vida de seus corpos d’água, em geral, poluídos ou invisibilizados por canalizações, lembra uma das voluntárias do projeto, Marli Romanini.
“O Córrego do Onofre, que abastece mais de um quarto da população da cidade, é um exemplo de como um rio praticamente se transformou num corredor de esgoto. O córrego vem sendo monitorado há quase dois anos por meio do projeto “Observando os Rios”, da SOS Mata Atlântica, e apresentou um Índice de Qualidade da Água (IQA) ruim para a qualidade de sua água em dez do doze meses do ano de 2024”, continua.
“O monitoramento analisa 14 parâmetros físico-químicos e biológicos da água. Entre eles, estão oxigênio dissolvido, nitrato, fosfato, PH, coliformes, odor, turbidez e presença de larvas e peixes. A coleta da água é feita no final de cada mês, próximo à foz do Onofre, na altura da ponte próxima ao Espaço Atibaia. Atualmente, três voluntárias participam. Todo o material de análise, como reagentes, é fornecido pela SOS Mata Atlântica, que disponibiliza ainda um site e aplicativo para a inserção dos dados. Outros 112 cursos de água são monitorados pelo projeto em 14 Estados e 67 municípios brasileiros que possuem Mata Atlântica”, explica Marli Romanini.
Foto: Marli Romanini/Arquivo
“Dentre os parâmetros observados, o Córrego do Onofre apresenta, na maioria das vezes, odor fétido, alto índice de coliformes fecais, fosfato e nitrato. Esses parâmetros apontam, sobretudo, para a presença de esgotos no rio. A qualidade da água do Onofre piorou muito no último ano em relação ao ano anterior e isso pode ser constatado por meio de um trabalho contínuo de monitoramento, utilizando uma metodologia simples e confiável”, afirma Marli Romanini, uma das voluntárias.
Ainda de acordo com o monitoramento, em relação aos demais rios brasileiros acompanhados pelo projeto, o Onofre apresentou um resultado abaixo da média, que é de IQA regular.
A bióloga Bruna Locardi, que também é voluntária da SOS Mata Atlântica e integra a equipe do Coletivo Socioambiental de Atibaia, explica que os bairros próximos ao corpo d’água despejam esgotos sem tratamento no Onofre. “Além disso, houve uma seca extrema ano passado e o rio não conseguiu se recuperar totalmente”, diz ela.
Para a voluntária e participante da Expedição pelas Margens do Córrego do Onofre, Edineia Prado da Costa, não houve até o momento um projeto sequer, por parte do poder público, visando a recuperar os rios da cidade. “Há mais de dois anos, estamos propondo a recuperação das margens dos rios da cidade e a implantação de parques lineares, bem como o tratamento de esgoto nos bairros periféricos para evitar o despejo in natura nos rios”, diz.
Além disso, Edneia observa que o projeto de canalização do Onofre e dos rios Figueira, Ana Pires e Folha Larga iniciado pela gestão municipal anterior não será capaz de prevenir enchentes, como alegado pela administração municipal, e tampouco é solução para o enfrentamento a emergências climáticas. Ciência cidadã
Foto: Marli Romanini/Arquivo
O objetivo do “Observando os Rios” é coletar dados sistematizados para atuação na gestão participativa da água no município. Por meio das análises, é possível diagnosticar a saúde do meio ambiente no entorno dos rios, identificar os principais problemas e buscar soluções integradas que possibilitem a sua recuperação. Umas das demandas, por exemplo, é a necessidade de tratamento de esgoto e restauração ecológica das áreas de preservação permanente em suas margens.
Gustavo Veronesi, que é geógrafo e coordenador do “Observando os Rios” na SOS, alerta para a importância do projeto: “Voluntários de todo o país colhem dados e fazem análises contínuas, com ponderação de parâmetros, num importante trabalho de ciência cidadã”, afirma. Segundo ele, esse processo pode facilitar a tomada de decisão por parte dos responsáveis sobre como manter ou melhorar a qualidade da água, podendo assim produzir água limpa, um artigo que vem-se tornando cada vez mais escasso e ameaçado.
Márcio Costa, jornalista e radialista, inicia sua carreira em 1983 como locutor noticiarista em Sorocaba. Em Atibaia, em 1988, implanta um formato inovador na FM local com entrevistas e transmissões ao vivo. Em São Paulo, atuou em rádio e televisão por mais de 25 anos. Em 2015, cria o jornal g8.
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