A ONG Salve Atibaia e coletivos da cidade realizaram um ato, no sábado (14), em protesto à canalização dos córregos Figueira, Onofre, Ana Pires e Folha Larga.

    Os organizadores do ato defendem soluções modernas e sustentáveis para prevenir enchentes na cidade, além de, a obra de canalização do córrego Figueira, ser considerada ultrapassada, sem consulta pública e prejudicial ao meio ambiente.

    Ainda segundo os organizadores, a decisão da Prefeitura de Atibaia de canalizar o Córrego do Figueira gerou indignação e protestos por parte de especialistas e moradores da cidade. “Sem consulta pública, a obra, orçada em R$ 84 milhões e financiada pelo FONPLATA, é considerada uma medida ultrapassada e equivocada, com graves impactos ambientais e sociais”

    Para barrar o projeto, a organização não governamental Salve Atibaia promoveu, em conjunto com associações de bairro e coletivos que atuam na região, um ato público no último sábado, dia 14 de novembro, e lançou um abaixo-assinado que busca interromper a execução da obra e abrir o debate sobre o que a sociedade espera em relação aos seus mananciais, córregos, rios e lagos.

    “O Córrego do Figueira, que atravessa a região da Avenida Joviano Alvim, no bairro Jardim do Lago, é um dos cursos d’água mais impactados pela expansão urbana na cidade. A ordem de serviço para a canalização foi assinada recentemente pelo prefeito Emil Ono, em seus últimos dias de mandato, e que argumenta que o projeto reduzirá enchentes e promoverá a recuperação ambiental das margens do córrego. No entanto, especialistas e ativistas contestam essas justificativas. O mesmo projeto, em outras fases previstas, também deverá afetar outros Córregos da região: Onofre, Folha Larga e Ana Pires”, lembram os organizadores do ato.

    Cláudio Maretti, ambientalista premiado internacionalmente, com funções de direção no ICMBio Nacional, WWF, Fundação Florestal, pesquisador, consultor, ativista do Coletivo Socioambiental de Atibaia e membro da nova geração de moradores que escolheram a cidade para residir e viver, critica duramente a iniciativa: “A canalização não é solução. É um modelo equivocado do século 19, utilizado no século 20 para transformar rios em avenidas e privilegiar o transporte. Essa abordagem destrói cursos d’água, ecossistemas e vegetação, além de não resolver as necessidades do século 21, como enfrentamento das mudanças climáticas, criação de espaços urbanos que permitam o extravasamento das águas e qualidade de vida.”

    Marcelo Laxe, engenheiro, administrador, presidente do Salve Atibaia, reforça a necessidade de repensar as políticas públicas para a gestão dos cursos d’água: “A canalização de córregos é uma solução ultrapassada, que transfere os problemas de enchentes para outras áreas e agrava a degradação ambiental. Precisamos de soluções modernas, como parques lineares, que conciliam preservação ambiental com espaços de lazer e qualidade de vida para a população. Queremos também transparência e que a sociedade tenha voz nos processos que afetem o seu futuro.”

    Néia Costa, assistente social, servidora pública aposentada, nascida e criada em Atibaia, e ativista do Coletivo Expedição pelas Margens do Córrego Onofre também defende a questão da vida dos córregos, rios e lagos da região: “Nós somos contrários à canalização dos Córregos Figueira, Onofre, Ana Pires e Folha Larga. Desde o anúncio do empréstimo de mais de 54 milhões de dólares feito pela prefeitura junto ao FONPLATA, estamos denunciando essa questão pois vai na contramão do que dizem especialistas, ambientalistas, em relação à não prevenção das enchentes, pois transfere para outro território o mesmo problema, assim como não mantém os rios e suas águas vivas.”

    Urbanistas e ambientalistas
    A decisão de canalizar o córrego vai contra o consenso entre urbanistas e ambientalistas, que defendem alternativas baseadas na preservação dos cursos naturais dos rios. “A impermeabilização do solo e a retificação dos cursos d’água, características da canalização, aceleram o escoamento das águas pluviais, sobrecarregam áreas rio abaixo e aumentam o risco de enchentes em outras localidades. Além disso, a destruição das matas ciliares durante o processo elimina importantes áreas de retenção natural e prejudica a biodiversidade”.

    Alternativas sustentáveis
    O Salve Atibaia defende que a criação de parques lineares é uma solução mais eficaz e sustentável. Esses espaços integram áreas de lazer, como ciclovias e quadras, com funções ambientais, como a proteção de matas ciliares, a infiltração da água no solo e o equilíbrio do microclima. “Outra alternativa são as bacias de retenção naturais, que armazenam água durante períodos de chuvas intensas e ajudam a mitigar enchentes. Essas soluções são baseadas na recuperação de áreas de várzea e na restrição de construções em margens de rios, priorizando a sustentabilidade e a segurança hídrica”.

    Participação cidadã
    De acordo com os organizadores do ato, a falta de consulta pública no planejamento da obra é outro ponto de crítica à gestão municipal. Para o Salve Atibaia e demais participantes, decisões que impactam profundamente o meio ambiente e a qualidade de vida da população devem ser tomadas de forma democrática e transparente, com a participação ativa dos moradores.

    “A canalização vai na contramão do enfrentamento das emergências climáticas”, acrescenta Néia Costa. “A insistência em práticas ultrapassadas coloca em risco o futuro da nossa cidade em um momento em que as mudanças climáticas já são uma realidade. Precisamos respeitar os cursos naturais dos rios e adotar soluções baseadas na natureza para garantir qualidade de vida e sustentabilidade,” conclui Laxe.

    “A mobilização continua e o Salve Atibaia e demais entidades que compõem a frente ‘Pela Vida dos Córregos e Rios de Atibaia’ convidam a população de Atibaia e admiradores da cidade a se engajarem na causa. O abaixo-assinado está disponível online, e novas ações serão realizadas para pressionar a suspensão do projeto”, finalizam os organizadores do ato.

    Share.

    Márcio Costa, jornalista e radialista, inicia sua carreira em 1983 como locutor noticiarista em Sorocaba. Em Atibaia, em 1988, implanta um formato inovador na FM local com entrevistas e transmissões ao vivo. Em São Paulo, atuou em rádio e televisão por mais de 25 anos. Em 2015, cria o jornal g8.